Sonho interrompido se torna realidade
No Vida de Aluno desta semana o Unisul Hoje traz a reportagem “Sonho de sonho interrompido se torna realidade”, com a história da jornalista e estudante de filosofia da UnisulVirtual Ana Esterque:
A jornalista e estudante de filosofia Ana Esterque fazer uma viagem de intercâmbio era um sonho antigo, mas que a vida sempre deixava para depois, ora por falta de dinheiro, por problema familiar ou ainda por algum compromisso. Assim, os anos foram se passando e a vontade de estudar em outro país foi sendo deixada para trás. Em 2006, a aluna passou por um grave problema de saúde, um derrame cerebral que na época a deixou com várias sequelas de visão e motoras, principalmente. Porém, Ana foi mais forte do que a doença, e dois anos depois, quando voltou a andar, resolveu retomar seus estudos. Ana cursa Filosofia na UnisulVirtual.
Foi através do jornal Unisul Hoje que Ana conheceu a experiência de intercambio da aluna Daniely Pavan, em Santiago de Compostela, e retomou a vontade de estudar fora do país. “Entrei em contato com ela para pedir informações e gostei das coisas que me contou. Tudo coincidiu: a Daniely me animou e é uma fase de vida em que eu podia estar fora. Pensei: Agora chegou a minha hora de ter essa experiência”, conta. Ana escolheu Santiago de Compostela, na Espanha, devido ao valor histórico e religioso que a cidade representa para a Espanha.
Além de estudar Filosofia, Ana frequenta aulas de Espanhol, pois deseja voltar ao Brasil fluente na língua. Além de aprender a língua do país que a recebeu, as aulas contribuem para conhecer um pouco mais da cultura da Espanha e também de outros países. “Este intercâmbio cultural é riquíssimo. Estou inserida na cultura espanhola e cultura galega. Além disso, nas aulas de espanhol, tenho contato com alunos das mais diversas nacionalidades: chineses, polacos, alemães, turcos, romênios, italianos, portugueses, tchecos, etc. Sou extremamente bem recebida em todos os lugares. Santiago é uma cidade acostumada a receber pessoas de fora (muitos estudantes e peregrinos), ou seja, as pessoas são receptivas em sua maior parte”, observa.
No começo do intercâmbio a aluna estranhou um pouco a diferença cultural, mas agora já esta habituada com os costumes locais. “Agora já me sinto bem adaptada, mas no primeiro mês foi complicado me acostumar à alimentação, aos horários de comércio (aqui tudo é sempre mais tarde e há o hábito da siesta), os hábitos noturnos das pessoas, etc. Aqui falamos que é siesta, mas na verdade não é. Tudo fecha porque as pessoas vão almoçar em casa com suas famílias. Siesta, propriamente dita, é no Sul do País, onde faz um calor de 45 graus e as pessoas param tudo após o almoço porque não aguentam o calor. Aqui na Galícia não há calor e esse hábito de tudo parar é porque é uma cidade pequena” explica Ana.
Dentro da faculdade de Filosofia há somente Ana e uma estudante da Polônia que são estrangeiras, mas Ana garante que é muito bem recebida por todos, e que tem muitos amigos espanhóis que auxiliam nas aulas. “Aqui se prima pela formação de alunos autônomos e, para tanto, é incentivada a pesquisa, os trabalhos que devemos entregar, leituras paralelas ao programa de ensino, etc. Posso dizer que estou quase 100% satisfeita com a qualidade de ensino. Faço duas matérias, por exemplo, cujos professores são altamente interessados nos alunos e estão sempre nos incentivando a ler mais, estudar mais, conhecer mais. O aluno que quer pesquisar aqui é muito bem recebido e nem sempre isso ocorre no Brasil”, ressalta.
Além de se dedicar aos estudos, Ana encontrou tempo também para trabalhar, e assim aproximar-se ainda mais da cultura do país. “Trabalho quatro dias por semana e apenas meio período. Treino a língua e ganho uma graninha ainda por cima. Sou camareira (garçonete em português). Estou aprendendo o ofício e, por isso, ainda faço muitas trapalhadas. Estou amando! Descobri que gosto de servir as pessoas. Aprendi a fazer vários tipos de café, a tirar um bom chopp (aqui se chama caña), a fazer uns petiscos, ainda treino a língua, aprendo novas palavras, treino humildade, aprendo hábitos típicos daqui. É uma experiência que vou levar para o resto da minha vida”.
Aos 34 anos de idade, Ana é um exemplo de que não se deve desistir dos sonhos, dos objetivos. Por mais que a vida ofereça obstáculos, é preciso superá-los e ir atrás do nosso caminho. “Tenho uma irmã muito querida que eu amo muito. Duas semanas antes de embarcar para a Espanha ela me contou uma coisa que eu não sabia. Ela me disse que antes da minha primeira cirurgia (eu estava na UTI) o médico disse a ela que era muito provável que eu morreria durante ou após a cirurgia. Se eu sobrevivesse, a chance de voltar a ter uma vida normal, ativa era mínima, pois ficaria com sequelas que me deixariam “inválida”. Entende o que significa para mim recomeçar a minha vida estudando aqui? Eu estou aproveitando ao máximo esta experiência”.
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